Eu caminhava naquela floresta altamente perigosa como se estivesse passeando em um bosque florido, não é que eu seja ‘’Sakura, a destemida’’ mas é que de um tempo pra cá, sentimentos, assim como temor, para mim são apenas palavras.
Ouvi Naruto me dizer algo sobre reconhecer um chakra, devo estar realmente muito aérea esses dias, como disse Tsunade.
Rapidamente escondi meu chakra entrando em uma caverna próxima ao local onde Naruto descobriu ter pessoas, três ou quatro, ele não sabia ao certo.
Sai estava muito estranho, apenas ouvia tudo com um sorriso mais falso do que o cabelo de Ino.
– Sakura-chan... – murmurou Naruto próximo a meu ouvido me fazendo sobressaltar levemente. – ...Sakura-chan, eles iram atacar, tenho certeza. Fique aqui dentro, são três ou mais pessoas, não podemos deixar que você se machuque ou todos morremos. Você fica aqui e eu e Sai cuidamos de tudo. – Como sempre, aliás, foi o que pensei, mas me contive em apenas acenar com a cabeça.
Vi os dois saírem de lá e começarem a traçar uma batalha entre cinco pessoas... Eles dois e os outros três pareciam ser um time... Congelei por breves segundos que mais pareceram horas, meu coração pareceu tufar dentro do peito, o que me fez ter certeza que o mesmo ainda estava lá. Não fosse por isto, diria que ele havia fugido de mim assim como ele...
Ele não estava lá, achei aquilo muito estranho, mas que bom que ele não estava, sinal de que eu não teria que olhar novamente aqueles olhos negros e profundos me encarando com uma estranha indiferença.
Voltei para dentro da caverna, aquele lugar úmido e escuro me daria conforto à exatos três anos e 18 dias... Sei que parece besteira, mas desde que ele saiu da vila conto os dias, mas não para ele voltar, mas para recuperar meu coração que foi levado de mim sem o menos pudor por aquele Uchiha. Maldito Uchiha!
Nem sei se ainda o amo, ou se o odeio, ou se sinto alguma mágoa ou carinho por ele... Hoje já não sinto nada, nem por ele e nem por ninguém. Nem poderia, afinal ninguém sente sem coração e ele fez o favor de roubá-lo de mim. Assim como quem não quer nada.
E talvez nem quisesse. Provavelmente não queria.
Eu me perdi nesses pensamentos, estava de costas para a entrada da caverna quando senti uma mão grande, áspera e quente tocar meu ombro. Nem sequer me assustei, não me pergunte como. Acho que já estava tão fria comigo mesma que talvez se alguém me matasse naquele momento eu poderia até agradecer.
Não me virei para ver quem era, fechei os olhos, se fosse Naruto ou Sai logo diriam algo,se não fosse nenhum dos dois eu logo morreria, resolvi unir o útil (minha morte) ao agradável (o fato de não ter que me virar para ver quem era).
Como a voz de quem quer que fosse não me veio aos ouvidos senti próximo meu fim, suspirei fortemente. Meu coração pulou, minha respiração falhou e eu não sentia mais nada, só aquele cheiro. Maldito cheiro!
– Uchiha... – pronunciei mais fria do que imaginava ser capaz, talvez aquele lance de perder meus sentimentos quando ele levou de mim meu coração estivesse realmente me afetando de maneira quase irreversível. Eu disse quase.
Ele me largou o ombro, e depois o tocou hesitante.
– Vamos, Uchiha, diga-me, o que quer? – disse mais uma vez com minha voz já trêmula, eu não choraria mais uma vez perante a ele, não havia necessidade e tampouco havia vontade de meus olhos transbordarem.
– Eu... – ele se calou, não conseguia me responder e eu não entedia o porque. – Eu não sei Sakura, só queria saber se você ainda sente algo por mim. – disse como se aquilo o ferisse por dentro, era como se cada palavra daquelas que saiu de sua boca saíssem por conta própria perfurando seu orgulho com o verso da faca.
Eu senti como se o meu mundo caótico de pensamentos sumisse por segundos, aproximadamente sete deles (eles, os segundos), pela terceira vez naquele mesmo dia meu coração parou, meu olhos que estavam fechados até o exato momento em que aquelas palavras se chocaram contra meus tímpanos agora estavam quase a pular para fora da órbita.
Uma lágrima teimosa caiu, já não me dou o luxo de ter esse tipo de reação,que coisa mais infantil.
– Sabe Uchiha, – disse com desdém – eu já não sinto mais nada. Nem por ti nem por ninguém. Não sinto saudades de como éramos uma equipe, ou felicidade por cumprirmos uma missão, ou medo de morrer quando o inimigo me captura, ou até mesmo angústia por estar longe de ti. No dia em que você saiu de konoha levou meu coração junto com você, então diz pra mim se há possibilidade em uma garota sem coração sentir algo? – virei para ele que me olhava com os olhos levemente arregalados e marejados. Parecia triste, muito triste, como eu jamais havia visto antes. Foi então que levantei a voz o encarando com um turbilhão de emoções que de súbito apareceram naquele momento em que encarei os olhos negros de Sasuke. – VAMOS SASUKE! ME DIZ! ME DIZ O QUE FAZER PRA VOLTAR A SER A MESMA PESSOA QUE EU ERA!
Ele permaneceu estático, como se aquilo tudo estivesse o queimando por dentro.
– Devolva-me Sasuke! Devolve-me esse coração! – dizia, eu, já em prantos no chão como uma criança mimada... Criança de vinte e poucos anos.
De cima ele me olhava,estava em pé com olhos marejados que teimavam em avermelhasse,não pelo sharingan,mas por uma quantidade maior do que a comum de água que se formava em seus olhos,brotando com suavidade de suas íris negras.
Lentamente sentou-se ao meu lado. Lado este calmo, pois eu já havia me recomposto, ainda estava a chorar, mas dessa vez baixo, como nos velhos tempos.
– Sakura, me desculpe por te fazer sofrer. – disse ele com seu tom normal, mas um pouco trêmulo. – Não creio que consiga te devolver este coração. É como querer tirar uma parte de meu corpo, como meu cérebro e tentar por na sua cabeça. Jamais ficará novamente com o mesmo grau de intelecto ou até mesmo de burrice.
E refleti por um momento sobre o que ele disse... Ele queria dizer que o meu coração era dele e ponto final? Que safado!
–Ah...você quer dizer, então, que tem meu coração e que não vai devolver e foda-se se eu vou passar o resto da minha vida seca de sentimentos porque meu coração está a quilômetros de distancia servindo ao Mister Serpentina? – disse eu um tanto quanto irônica, pude ver um quase sorriso de canto brotar nos lábios finos de Sasuke.
– Não, quero dizer que voltarei para konoha já que matei o ‘’Senhor Serpentina’’ e sobre seu coração, pode esquecer essa idéia de tê-lo de volta, não estou pronto para te devolver ele, quero cuidar dele, Sakura. – eu fiquei pasma... Então ele matou Orochimaru? Nossa, nem acredito, eu ouvi boatos sobre o ocorrido e ignorei... Realmente estou afetada.
– E o que você fará se eu disser que não quero seus cuidados? – disse ainda sendo fria com ele. Por mais que agora menos do que antes.
– Eu viverei mais duzentos anos pra te fazer mudar de idéia. – disse ele quase que em promessa.
– Naruto já sabe que você irá para konoha conosco? – disse levantando-me ignorando o comentário romântico que ele fez sobre meu coração e blá, blá, blá. Ok ,ok,não tava demonstrando,mas eu estava feliz...Muito feliz.
– Parece que você tava mesmo desligada, hein? – disse ele se metendo na minha frente. – Se vocês vieram em missão justamente porque eu voltaria com vocês! - Ah, então era por isso que Naruto tava tão atento!
– Nossa, sabe que pensando bem, eu nem sabia o que tava fazendo aqui nessa missão. – disse ignorando ele bem a minha frente e desviando do mesmo seguindo para fora da caverna. – A propósito, se estamos aqui e você também, o que Naruto e Sai estão fazendo lá fora com Juugo, Suigetso e Karin? Pulando amarelinha? – perguntei sarcástica.
– Talvez. – respondeu ele igualmente, estava entrando no meu jogo e eu tava gostando de jogar. (N/A:ironia VS sarcasmo!)
– Vamos até eles então, agora que estou mais perto do meu coração posso matar um pouco da saudade da infância. – disse novamente sarcástica continuando a caminhar quando senti sua mão gelada em meu pulso.
– Calma, ainda vai ter tempo, primeiro deixe que eu mate a saudade que tenho dos lábios mais macios que minha boca já provou. – disse me puxando pela cintura em um rápido movimento e quando eu vi estava eu novamente tocando aqueles lábios finos com gosto de menta. A primeira vez havia sido naquela noite mesmo, quando me declarei e ele simplesmente me apagou e me colocou em um banco... Ou pelo menos foi o que eu pensava, mas esse ‘’matar a saudade’’ me explica aquela sensação quando acordei no banco.
Em pouco eu já estava sem meu colete vermelho, trajando apenas um top ninja e ele sem sua camisa com as costas arranhadas por minhas unhas famintas. A boca dele me sugava o pescoço e suas mãos deslizavam sobre minhas coxas. Eu sabia que talvez eu pudesse me arrepender de fazer aquilo assim tão de repente, mas não havia nada mais certo do que semear nosso amor, pois agora eu já sabia, ele me amava, não me disse isso explicitamente, mas disse, e eu pude ouvi-lo.
Em pouco estávamos no fundo daquela caverna fazendo amor como se nossas vidas dependessem disto, como se nunca mais fôssemos nos ver, como se aquela fosse a última vez em que pudéssemos nos tocar, mas não era.
E Hidake é a prova disto.
– Nossa, senhora Uchiha, que história linda! – Dizia uma bela mocinha com olhos perolados e cabelos lisos loiros. – Queria que Hidake fosse assim romântico que nem o senhor Uchiha! – disse Hamane Uzumaki, futura Hamane Uchiha.
Eu sorri, vi que Hinata também sorria. Minha amiga estava muito feliz ela sabia que Hidake era um bom menino para Hamane. Eu também sabisa que Hamane era perfeita para Hidake.
A definição de família perfeita acabava quando eu imaginava a Hamane cozinhando rámen e o Hidake reclamando que ela era muito ausente... Ele herdara meu sentimentalismo e Hamane o apetite de Naruto... É... talvez seja até bonitinho.
Por: Rafa Haruno.
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